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Artigo publicado na Revista Saudável (Edição: Outubro/2009)
Autoria: Hugo Santos, Psicoterapeuta - Oficina de Psicologia
Ao amor e uma cabana juntámos a inteligência relacional. Na sociedade moderna as competências treinam-se, mesmo aquelas relacionadas com a arte de ser feliz com alguém. Nos afectos, como é que eu sou? Como é que eu gostaria de ser?Os tempos mudam e com o cronómetro das gerações o nosso olhar e a forma de viver vão igualmente mudando. O amor também se transforma e hoje em dia as relações reflectem diferentes formas de expressar e de trocar afectos.
Sem entrar num discurso modernista ou num tom saudosista sobre os “velhos tempos”, parto do bom princípio que a experiência e os novos conhecimentos permitem-nos evoluir na forma como amamos. Aliar a ciência à magia do amor poderá ser uma boa fórmula para a felicidade.
Deste modo, ao amor e uma cabana adiciono a inteligência relacional, como um suplemento vitamínico que poderá revitalizar conscientemente o campo dos afectos.
Ao longo da nossa linha da vida vamos tendo diversas oportunidades e desafios para colocar à prova e para desenvolver a nossa capacidade para criar relações.
Esta competência para nos ligarmos e interagirmos com os outros espelha-se na forma como reconhecemos e compreendemos os sentimentos, e no modo como aplicamos esta informação no quotidiano dos afectos.
O interessante é termos a possibilidade de ir treinando ao longo da vida a nossa inteligência relacional, podendo, assim, mudar a forma como amamos e como nos relacionamos
Perante isto, desafio-vos a olharem para a vossa inteligência relacional, num convite a espreitar para dentro, através do exercício “Espelho meu, espelho meu, diz-me quem sou eu?”.
O exercício é simples e a minha aspiração é traduzir para uma linguagem prática e próxima do senso comum, estes saberes da psicologia.
Comecemos a viagem…
Cada um de nós tem uma imagem de si próprio ao nível dos afectos e das relações, que se espelha nos comportamentos e nas diversas situações do dia-a-dia.
Se abrirmos a base de dados deste “espelho mágico” e fizermos uma pesquisa sobre o que podemos encontrar, teremos uma imensa lista de características individuais, como por exemplo: “Sou bonito”, “Sou Social”, “Sou Simpático”, “Dou mais aos outros do que recebo”, “Tenho medo da rejeição”, “Acho sempre que a culpa é minha”, “Não digo o que penso”, “Sou desconfiado”, “Detesto quando não me ligam”, “Importo-me muito com o que os outros pensam”, entre outros.
Vamos utilizar algumas dessas características.
Pegue, então, numa folha de papel e numa caneta, e escreva no cabeçalho o nome deste exercício: “Espelho meu, espelho meu, diz-me como sou eu”. Não se preocupe porque não vamos entrar em nenhum campo esotérico. Trata-se apenas de uma simples instrução para começar o exercício.
Agora, desenhe por baixo quatro linhas horizontais, com cerca de cinco dedos de comprimento (a bitola é a palma da mão fechada). Deixe algum espaço entre as linhas. Na extremidade de cada uma, escreva em cantos opostos as seguintes características: Pessimista – Optimista, Inseguro – Confiante, Dependente – Independente e Descomplicado – Complicado.
Acabou de criar uma simples escala de avaliação da sua imagem.
Vamos agora olhar para a primeira linha e para as características: Pessimista - Optimista. A linha representa uma escala entre duas características opostas (no centro está o “meio pessimista - meio optimista”, à esquerda está o extremo do pessimismo e à direita o extremo do optimismo).
Pergunte-se: “Como é que eu sou?”, no campo dos afectos. Sem pensar muito (para a resposta ser mais emocional do que racional), coloque um “x” sobre a linha no local que achar que o caracteriza mais.
Coloque agora uma segunda questão: “Como é que eu gostaria de ser?” e novamente, de forma espontânea, coloque um “x” sobre a linha, mas desta vez com um círculo à volta.
Poderá fazer o mesmo para as restantes características (Inseguro – Confiante, Dependente – Independente e Descomplicado – Complicado).
Dou-lhe algumas hipóteses explicativas dos seus resultados: o espaço entre a primeira e a segunda resposta poderá permitir avaliar a distância entre o seu real e o seu ideal. Quanto maior a distância maior poderá ser a insatisfação ou necessidade de mudança. Por outro lado, se a imagem real e a imagem ideal estiverem sempre “coladinhos”, isto é, muito juntos, poderá ser um mecanismo de defesa que não lhe permite idealizar muito.
A regra é simples: não há respostas certas, nem erradas, nem explicações únicas. Neste exercício cada um avalia-se da forma como lhe fizer mais sentido.
Este “espelho mágico” agora é seu. Poderá fazer o exercício quando quiser, nos dias que quiser, e diversificar as características.
Tem agora uma ferramenta simples para avaliar a sua inteligência emocional, ao nível da auto-imagem (imagem de si próprio). Um importante passo para a mudança e para a transformação é a tomada de consciência de como é que somos e de como é que gostaríamos de ser. A bola está agora do seu lado.
Se fizer a pergunta “espelho meu, espelho meu, há alguém mais bonito do que eu?”, eu próprio lhe darei a resposta: “não há”. Porquê? Agora esta resposta é só sua.